que mal fica colocar aqui uma prenda (maravilhosa) que recebi
Mas um blogue também é uma espécie de diário e relata esse tal dia-a-dia (por isso o meu estar quase sempre sem nada)
O Fernando colocou no seu blogue esta prenda para mim que aqui transcrevo...e aconselho o blogue dele (http://donnemoimachance.blogspot.com)...ele sim percebe alguma coisa disso a que chamam literatura e não tantos que para aí andam.
Gracias Fernando. De corazón!
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"amador por deus
escritor pelas mulheres
crente pelo mundo
errata: onde se lê amador, dever-se-ia ler escritor;
onde se lê escritor, dever-se-ia ler crente;
onde se lê crente, dever-se-ia ler amador.
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benjamim machado
Etiquetas: uma prenda de anos
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Recomeço
Recomeço o blogue.
A vida é feita de recomeços - ao menos para mim que não sei "começar".
E, contudo, minto.
A vida não é feita de recomeços. É feita, também, isso sim, de Desistir.
E de não resistir a voltar ao que se desistiu.
Como a esta espécie de blogue
A vida é feita de recomeços - ao menos para mim que não sei "começar".
E, contudo, minto.
A vida não é feita de recomeços. É feita, também, isso sim, de Desistir.
E de não resistir a voltar ao que se desistiu.
Como a esta espécie de blogue
Domingo, Maio 17, 2009
No final de contas
A frase de Enrique Vila-Matas que mais gosto e com a qual mais me identifico foi dita por Vila-Matas a propósito do seguinte:
estava ele a narrar determinado acontecimento quando, de repente, se apercebe que aquilo teria de conduzi-lo a cada vez maiores explicações (e a distanciar-se, alargando, precisamente o que estava a tentar narrar). Dando-se conta disto então afirma, justificando a necessidade de abreviar a história que pretendia contar:
"A minha história será abreviada, ou não será".
Adoro esta frase....tal como a adoro ainda mais trocando a palavra "história" por "vida".
É que no final de contas...poucas coisas contam perante a brevidade da vida...
e sendo a vida inevitavelmente demasiado breve, outra forma não poderia ter para que o fosse
No final de contas: "a minha história será abreviada, ou não será!
estava ele a narrar determinado acontecimento quando, de repente, se apercebe que aquilo teria de conduzi-lo a cada vez maiores explicações (e a distanciar-se, alargando, precisamente o que estava a tentar narrar). Dando-se conta disto então afirma, justificando a necessidade de abreviar a história que pretendia contar:
"A minha história será abreviada, ou não será".
Adoro esta frase....tal como a adoro ainda mais trocando a palavra "história" por "vida".
É que no final de contas...poucas coisas contam perante a brevidade da vida...
e sendo a vida inevitavelmente demasiado breve, outra forma não poderia ter para que o fosse
No final de contas: "a minha história será abreviada, ou não será!
Domingo, Maio 10, 2009
Dúvida

Aqui estou, no mesmo café onde há cerca de 4 anos uma das coisas mais marcantes da minha vida foi conversado e muito mudou.
Aqui estou, sentado numa cadeira (frente a uma mesa, tomando um martini), um pouco mais atrás da mesa onde tudo ocorreu.
É curioso: estou, com extrema nitidez, a ver-me há 4 anos atrás, naquela mesa ali adiante, e a visualizar, e a escutar tudo, outra vez.
Por isso a única dúvida que tenho é: como é que eu, há cerca de 4 anos, naquela mesa ali adiante, não me vi nesta mesa aqui atrás?
Quinta-feira, Março 26, 2009
Beijo ontológico
Como a prazos mensais - de um mês sem calendário -
Beijo-te os olhos e digo-te quem sou
E confundo com acertos os desenganos,
que a vida - a mais senhora de todas as putas -
abençoou.
De lábios ternos, rugas fugazes e crenças de um credo por criar,
reza-se a um altar vazio e adormece-se acordado
para não sonhar.
E não há "mas" neste texto. Nem "porém", nem "talvez", nem "quiçá" ou "no entanto".
Termina como começou:
beijando-te os olhos...e dizendo-te quem sou.
Beijo-te os olhos e digo-te quem sou
E confundo com acertos os desenganos,
que a vida - a mais senhora de todas as putas -
abençoou.
De lábios ternos, rugas fugazes e crenças de um credo por criar,
reza-se a um altar vazio e adormece-se acordado
para não sonhar.
E não há "mas" neste texto. Nem "porém", nem "talvez", nem "quiçá" ou "no entanto".
Termina como começou:
beijando-te os olhos...e dizendo-te quem sou.
Quinta-feira, Março 05, 2009
Vou esquecer a estrutura
Sim, porque este blogue tinha uma estrutura. Vou esquecer que a tinha.
Antes assim.
Daqui a pouco torno-me "aficionado" dos poetas japoneses: o Sol nasce, a bicicleta anda, o lobo uiva, o urso panda.
Antes assim.
Daqui a pouco torno-me "aficionado" dos poetas japoneses: o Sol nasce, a bicicleta anda, o lobo uiva, o urso panda.
Quinta-feira, Maio 15, 2008
Por vezes

Por vezes uma violência filha da puta.
Advém ela de tanta beleza que existe no mundo.
Sim, o mundo devia ser menos belo, visto que tão pouco tem de bondade.
Um violência filha da puta que me consome e me tem ... e que depois me abandona deixando-me no rosto a forma de um sorriso.
Uma violência filha da puta, violência filha da puta, filha da.
Terça-feira, Abril 29, 2008
desaparecendo por desaparecer

Há quem reclame comigo por a minha espécie de blogue apenas falar de mulheres.
Crítica legítima e injusta, simultaneamente.
Injusta porque caso fale apenas de mulheres ...elas não são apenas mulheres.
Legítima caso realmente apenas fale de mulheres MAS o título do blogue sempre anunciou ausências...assim que....
E, de qualquer forma, mais íntimo não posso ser, afinal há muito tempo que perdi a faculdade de ter ideias (sim, houve um tempo em que as tive). Hoje em dia a minha cabeça são "notas de rodapé".
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Tudo passa,
Vai no vento...
Como uma folha caída.
Eu conto as horas da partida (não importa o que ficou).
A
lembrança do teu regaço faz de guia de meus passos...na direcção do Sol-pôr
Sexta-feira, Março 21, 2008
desaparecendo (n)a paixão de Cristo

Sexta-feira santa (para os católicos). Morte de Cristo.
Outra forma de dizê-lo: morte do Amor.
Poderia ser, "paganizando" mas não demasiado, morte de quem se ama.
Morte, por isso também, da mulher amada.
................................................................
Quando morreres chorar-te-ei a sério.
Aproximar-me-ei do teu rosto para beijar com desespero os teus lábios num último esforço cheio de presunção e de fé, para te devolver ao mundo que te terá relegado. Sentir-me-ei ferido na minha própria vida, e considerarei a história e o tempo partidos em dois por esse teu momento definitivo. Fecharei os teus surpreendidos e renitentes olhos com mão amiga, e velarei o teu cadáver esbranquiçado e mutante durante toda a noite e a inútil aurora (que te não terá conhecido). Retirarei a tua almofada, os teus lençóis humedecidos.
Eu, incapaz de conceber a existência sem a tua presença diária, hei-de querer seguir sem dilação os teus passos ao contemplar-te exânime. Irei visitar o teu túmulo, e falar-te-ei sem testemunhas do alto do cemitério após ter subido pela encosta e ter-te olhado com amor e cansaço através da pedra inscrita.
Verei antecipada na Tua a Minha própria morte, verei o Meu retrato e então, ao reconhecer-Me nas Tuas feições rígidas, deixarei de acreditar na autenticidade da Tua expiação por ela dar corpo e verosimilhança à Minha.
Porque ninguém está apto para imaginar a sua própria morte.
Quinta-feira, Março 20, 2008
desaparecendo (n)outros blogues I

Vi, noutro blogue (site, página pessoal, whatever...) uma fotografia muito curiosa, na qual, a proprietária do blogue (site, página pessoal, whatever...) aparece auto-fotografada (de certa forma todas as fotografias são auto-fotografias; ao menos todas são "auto") no meio (deitada no campo, misturada com...) de flores.
A descrição que fiz é horrível...mas enfim, a fotografia é bastante interessante.
Fiz um pequeno comentário no blogue dela acerca da fotografia ao qual ela respondeu e eu não contra-argumentei (trata-se do blogue Dela e por isso não quis continuar uma discussão que poderia fugir ao que ela deseje para aquele espaço; caso algo deseje para aquele espaço. Ou seja: dei-me conta que estou a ficar bem-educado....jesus).
Fugindo ao tema da discussão não tida, mas que caminhava num outro sentido (falávamos de Segredos e do que se pode ou não entender como tal), volto à fotografia: uma mulher misturada num campo de flores.
Mesmo pensando eu que a única forma de guardar segredos é anunciando-os, por respeito à opinião dela (estou mesmo a tornar-me bem educado, aos 34 anos continuo a perder as poucas qualidades que tinha) mantenho em segredo os nomes dos "personagens" da fotografia.
Apenas disse tratar-se de uma mulher (não disse que se chamava Sofia pois não?) e de flores (malmequeres no caso). Opsss. hummm...pronto, não vou dizer o nome de cada malmequer!!!
O que tento dizer aqui (há tanto tempo que não escrevo aqui e de forma directa no computador que isto está mesmo terrível; ao menos os posts não poderão piorar) é que aquela fotografia apenas me faz recordar:
Sofia não desfolhava os malmequeres porque sabia que todos lhe diriam que sim!
Quarta-feira, Março 19, 2008
(des)aparecendo I
Aparecendo de repente tanto tempo depois num sítio que supostamente me pertence.
E tudo devido a malmequeres (ás flores, refiro-me).
Explico-me mais logo que agora são horas de copos.
por certo tinha razão o Zé Manel: este não é um blogue desistente (foi só para vos alegrar que fiz que parecesse tal coisa).
E tudo devido a malmequeres (ás flores, refiro-me).
Explico-me mais logo que agora são horas de copos.
por certo tinha razão o Zé Manel: este não é um blogue desistente (foi só para vos alegrar que fiz que parecesse tal coisa).
Quinta-feira, Setembro 13, 2007
desaparecendo (n)o e então...

- e então ele disse: "há ausências que na ausência se presentificam. Como a tua."
-e então ela, comovida, disse: "a sério? estás mesmo a falar a sério?"
-e então ele disse: "é um jogo de palavras. Não existe nada de mais sério que um jogo de palavras."
E então ela nada disse. E começou a chorar.
-e então ele disse: "porque choras?"
-e então ela disse: "porque não existem palavras que substituam o curso descendente das lágrimas. E o seu sal."
E então ele calou-se. Nada mais disse. Até hoje.
Uns dizem que ele se tornou assassino. Outros dizem que se tornou poeta.
Deve dizer-se que estes que dizem isto estão ainda num jogo de palavras.
Curiosamente com sinónimos.
Sexta-feira, Agosto 31, 2007
Agradecido
Não se fazem de comentários "posts". Ou melhor, não se fazia. Porque este comentário do Zé Manel melhora muito mais o blogue que o que este merece não o deveria, também por isso, torná-lo post (quem quiser vê-lo pois que o procurasse). Mas, mesmo sabendo tudo isto e sabendo ainda que este comentário (agora "post") é (não sendo apenas) uma resposta ao comentário da minha querida Nieves (ver comentários ao "post" com o título "Para Mafalda"); vou colocá-lo aqui.
E Zé Manel, todos sabemos do teu brilhantismo em Filosofia (em particular na Estética e na crítica e análise a qualquer expressão artística; seja Cinema, Pintura, etc...); (aliás eu sei-o bem pois fui teu aluno e agora tenho a sorte de seres meu amigo), sabemos isso e o quanto difícil para nós é, por vezes, seguir todas as tuas referências; sabemos ainda, porque o vivemos já algumas vezes, o prazer que nos dás quando te sentas e tocas ao piano MAS CARAMBA, de uma vez por todas ouve-me: faz o que considero vital e não nos prives do que mais vital depois ainda consideraríamos: a Literatura. Podes dela gostar menos mas, "me da igual", egoisticamente sei que seria fantástico também aí "ouvir-te", lendo-te.
Além disto, é ela (a Literatura) que está enferma.
------------------------------------------------------------------------------
Fiquem com o texto:
José Manuel Martins disse...
Como Homero e Odisseus dedicaram o deles a Penélope, essa tecedeira de Ítaca que dia e noite escrevia na tela o guião implausível para o herói e para o seu poeta, desfiando-lhes os mares, os anos, as ilhas, as palavras. Toda a Odisseia consiste na peculiar forma de desaparecer que é a dessa ausente; nessa forma insuprimível (que funda todo um estilo)de Penélope desaparecer, que faz com que tudo o mais imparavelmente apareça - até que também ela própria por fim. A sua ausência é a força da remada, a bruma da manhã seguinte, a agonia sirénica, o seu perfil depois de vinte anos - é o segredo das formas aparecidas. Que ainda o seu mesmo aparecer persiste uma forma de desaparecer: pois ela, tal como alêtheia, é o feminino do aparecer. Longe de desaparecer, ela é o seu exacto contrário (assim como o feminino depara o masculino na tabela pitagórica): languesce, por essência e sem opção, n' "uma forma" ( ah, perdurante entre todas!...) de desaparecer; e o blogue, seu homónimo, já o sabia no que toca à metafísica refinada da presença evanescente e à sensação de adeus sem fim nutrida existencialmente pelo exercício subtil de uma fé apofática. Já o sabia no seu animus mental, imune aos supostos paradoxos e aos trocadilhos de perplexidade emitidos sobre a precariedade e pessimismo de um blogue que erradamente se suspeita "desistente". Só agora o sabe no seu arquétipo feminino, na sua significação segundo a anima: se há uma formadedesaparecer que é a do animus, a anima É umaformadedesaparecer.Daí a tendência hierogâmica.Umaformadedesaparecer só podia dedicar-se a uma forma de desaparecer que é a sua forma paradigmática. Ninguém têma por desaparecimentos ou desaparecidas.
E Zé Manel, todos sabemos do teu brilhantismo em Filosofia (em particular na Estética e na crítica e análise a qualquer expressão artística; seja Cinema, Pintura, etc...); (aliás eu sei-o bem pois fui teu aluno e agora tenho a sorte de seres meu amigo), sabemos isso e o quanto difícil para nós é, por vezes, seguir todas as tuas referências; sabemos ainda, porque o vivemos já algumas vezes, o prazer que nos dás quando te sentas e tocas ao piano MAS CARAMBA, de uma vez por todas ouve-me: faz o que considero vital e não nos prives do que mais vital depois ainda consideraríamos: a Literatura. Podes dela gostar menos mas, "me da igual", egoisticamente sei que seria fantástico também aí "ouvir-te", lendo-te.
Além disto, é ela (a Literatura) que está enferma.
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Fiquem com o texto:
José Manuel Martins disse...
Como Homero e Odisseus dedicaram o deles a Penélope, essa tecedeira de Ítaca que dia e noite escrevia na tela o guião implausível para o herói e para o seu poeta, desfiando-lhes os mares, os anos, as ilhas, as palavras. Toda a Odisseia consiste na peculiar forma de desaparecer que é a dessa ausente; nessa forma insuprimível (que funda todo um estilo)de Penélope desaparecer, que faz com que tudo o mais imparavelmente apareça - até que também ela própria por fim. A sua ausência é a força da remada, a bruma da manhã seguinte, a agonia sirénica, o seu perfil depois de vinte anos - é o segredo das formas aparecidas. Que ainda o seu mesmo aparecer persiste uma forma de desaparecer: pois ela, tal como alêtheia, é o feminino do aparecer. Longe de desaparecer, ela é o seu exacto contrário (assim como o feminino depara o masculino na tabela pitagórica): languesce, por essência e sem opção, n' "uma forma" ( ah, perdurante entre todas!...) de desaparecer; e o blogue, seu homónimo, já o sabia no que toca à metafísica refinada da presença evanescente e à sensação de adeus sem fim nutrida existencialmente pelo exercício subtil de uma fé apofática. Já o sabia no seu animus mental, imune aos supostos paradoxos e aos trocadilhos de perplexidade emitidos sobre a precariedade e pessimismo de um blogue que erradamente se suspeita "desistente". Só agora o sabe no seu arquétipo feminino, na sua significação segundo a anima: se há uma formadedesaparecer que é a do animus, a anima É umaformadedesaparecer.Daí a tendência hierogâmica.Umaformadedesaparecer só podia dedicar-se a uma forma de desaparecer que é a sua forma paradigmática. Ninguém têma por desaparecimentos ou desaparecidas.
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